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Situação existente é o ponto de partida deste conteúdo. A análise organiza conceitos, critérios e aplicações para transformar a ideia em decisões mais claras, consistentes e úteis para o negócio.
Como aplicar situação existente
Situação existente deve ser avaliado no contexto do público, dos objetivos e das alternativas disponíveis. Defina o resultado esperado, identifique premissas e teste uma ação de cada vez. Registre evidências, compare o efeito com a expectativa e ajuste o caminho antes de ampliar o investimento. Veja também outros artigos sobre gestão.
Toda decisão de planejamento parte de um mesmo ponto: existe uma realidade atual, considerada insatisfatória em algum grau, e existe uma realidade desejada, ainda não alcançada. O economista e cientista político Herbert Simon formulou essa ideia de forma direta ao descrever o ato de projetar como a criação de cursos de ação voltados a transformar situações existentes em situações preferidas. Essa formulação, embora simples, ajuda a explicar por que planejar é diferente de apenas reagir ao que aparece pela frente.
Este artigo contextualiza esse princípio e mostra como ele se aplica a decisões de negócio, marketing e gestão do dia a dia.
O que significa "transformar situações existentes em situações preferidas"?
Na formulação de Simon, projetar (design, no sentido amplo do termo) não é apenas desenhar um objeto ou um processo — é o ato de pensar deliberadamente em como sair de um estado atual e chegar a um estado considerado melhor. Isso vale tanto para um produto físico quanto para uma estratégia de negócio, uma rotina de atendimento ou um plano de crescimento.
O ponto central é que essa transformação não acontece sozinha. Ela exige a definição clara de dois elementos: o que existe hoje (situação existente) e o que se deseja alcançar (situação preferida). Sem essa clareza, qualquer curso de ação corre o risco de ser aleatório.
Por que esse princípio importa para quem toma decisões em uma empresa?
Empresas — especialmente as de menor porte — costumam operar em modo de resposta constante: resolver o problema do dia, atender a demanda que chegou, apagar o incêndio mais urgente. Esse modo de operação tem seu valor, mas quando se torna o único modo de operação, a empresa deixa de se mover em direção a algo definido e passa a apenas reagir ao que surge.
Aplicar o princípio de Simon como forma de pensar significa, antes de qualquer ação, fazer duas perguntas: qual é a situação existente, descrita com clareza? E qual é a situação preferida que se busca no lugar dela? Esse exercício, ainda que simples, muda a natureza da decisão — de reativa para intencional.
Como aplicar esse princípio a decisões de negócio?
Diagnóstico como ponto de partida
Antes de desenhar qualquer curso de ação, é necessário descrever a situação existente com honestidade. Isso inclui reconhecer limitações, gargalos e pontos que não estão funcionando — não apenas os aspectos positivos. Um diagnóstico incompleto tende a gerar planos que não endereçam o problema real.
Definição da situação preferida
A situação preferida não precisa ser perfeita nem definitiva — precisa ser clara o suficiente para orientar decisões. Isso significa descrever, em termos concretos, o que seria diferente se o objetivo fosse alcançado: que processo mudaria, que resultado apareceria, que comportamento do cliente ou da equipe seria distinto.
Desenho do curso de ação
Com os dois pontos definidos, o trabalho de planejamento consiste em desenhar os passos que conectam um ao outro. Esse é o momento em que entram ferramentas de gestão de projetos, priorização e sequenciamento — não como burocracia, mas como forma de tornar o caminho executável.
Baixe o material visual com o roteiro de aplicação do princípio “situação existente → situação preferida” ao planejamento do seu negócio.
Como aplicar esse princípio ao marketing?
Em marketing, esse raciocínio aparece na diferença entre criar conteúdo ou campanhas sem direção clara e desenhar uma estratégia a partir de um ponto definido. A situação existente pode ser, por exemplo, baixa clareza sobre o que a empresa vende; a situação preferida, um público que entende a oferta e sua diferença antes mesmo de conversar com a equipe comercial.
Nesse caso, o curso de ação (o “projeto”, no sentido de Simon) é o conjunto de decisões de posicionamento, mensagem e canais que conectam esses dois pontos — não uma lista de táticas soltas.
Como esse princípio se aplica à tomada de decisão no dia a dia?
Decisões cotidianas também podem ser filtradas por essa lógica, em escala menor: antes de agir, vale nomear rapidamente qual é o estado atual do problema e qual seria um estado melhor. Esse hábito reduz a tendência de tomar decisões apenas por impulso ou pressão do momento, e aproxima a rotina de decisões de um processo mais deliberado — mesmo quando o tempo disponível é curto.
Checklist para aplicar o princípio a qualquer decisão
EtapaPergunta orientadora1. Situação existenteO que está acontecendo hoje, sem filtro nem otimismo?2. Situação preferidaO que seria diferente se o objetivo fosse alcançado?3. LacunaQual é a distância real entre os dois pontos?4. Curso de açãoQuais passos conectam a situação existente à preferida?5. VerificaçãoComo saber se o curso de ação está de fato reduzindo a lacuna?
Conclusão
A formulação de Herbert Simon oferece um ponto de partida simples, mas exigente, para qualquer processo de planejamento: nomear com clareza onde se está e onde se quer chegar, e tratar o caminho entre os dois pontos como algo a ser desenhado, não improvisado. Esse princípio não garante sucesso nem elimina incerteza — mas dá direção a decisões que, de outra forma, tenderiam a ser apenas reativas.
Perguntas frequentes
Esse princípio serve só para grandes projetos ou também para decisões pequenas?
Serve para ambos. A escala muda, mas a lógica de nomear situação existente e situação preferida antes de agir é útil tanto em decisões estratégicas quanto em decisões cotidianas.
"Situação preferida" é o mesmo que meta?
São conceitos próximos, mas a situação preferida é mais ampla: descreve um estado desejado, que depois pode ser traduzido em metas específicas e mensuráveis.
O que fazer quando não há clareza sobre a situação existente?
Nesse caso, o primeiro passo do planejamento deixa de ser desenhar soluções e passa a ser diagnosticar — levantar dados, ouvir pessoas envolvidas e descrever a realidade antes de propor qualquer curso de ação.
Esse princípio elimina a necessidade de ajustes ao longo do caminho?
Não. Definir situação existente e preferida orienta o ponto de partida e o horizonte, mas o curso de ação costuma exigir revisão à medida que a execução avança.
Esse conceito é exclusivo de negócios?
Não. A formulação de Simon é ampla e se aplica a qualquer contexto de projeto — de produtos e políticas públicas a processos organizacionais e decisões pessoais.
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